terça-feira, 30 de novembro de 2010

POR QUE ESCREVER


Hoje é um dia triste e diferente em minha vida.
Hoje, eu vi um amigo ser enterrado.
Sei que isso é corriqueiro como um fato inescapável da vida, e que todos os dias isso acontece. Sei que o tempo não para esperando a nossa dor passar, que as faturas continuam vencendo, que os carros continuam passando, que a chuva cai... nada muda de fato.

Mas mudou dentro de mim, para sempre.

Meu amigo não era uma pessoa qualquer: ele era meu amigo. E imaginar que hoje não posso mais falar com ele, vê-lo, rir juntos, realmente machuca muito. Ontem, quando confirmei o inacreditável, a sua perda, tive a tarefa injusta e inglória de comunicar a todos ao meu alcance essa notícia trágica.
E ao passar pelos nomes em minha agenda, via sempre o nome dele, e a sensação de vazio era enorme.

Não imagino que minha dor seja ao menos comprável a de familiares, esposa, pais. Não é, e ainda não sei como apoiá-los.

Cada momento vivido, cada memória deve ser registrada de alguma forma, para que não se perca no tempo, mantendo viva a história de nossas existências.

Mais recentemente encontrei meus amigos de infância pela internet (ou fui encontrado por eles), e a falta de registros de toda natureza me assustou um pouco.

Conversando com meu filho, contei várias histórias divertidas e maravilhosas da minha infância, dos amores, das dores, de dedos ralados de jogar futebol descalço, de roubar goiaba, andar em cima do muro. Ele repetiu quase as mesmas palavras, mas o mesmo sentido, que usei com meu pai, quando um dia, aos 6 anos de idade, ele me contava das suas aventuras infantis: "pai, eu queria estar lá, com você, nas suas histórias".

E reunindo todos os cacos, tenho pensado muito na mortalidade, no tempo e na vida.
Não sou uma pessoa importante, sou apenas mais um no meio da multidão.
Exceto para o Edu.
Enquanto escrevo, na cama ao meu lado, meu filho dorme o sono dos justos. Para ele, com sua memória volátil da infância, é que vou escrever, para que ele possa reviver estes dias, e outros que vivi antes que ele existisse. Assim, quando ele tiver crescido, e a sua memória começar a pregar peças, ele vai ter com que se divertir. E quando eu tiver partido, talvez um pequeno pedaço dessa história possa acalentá-lo, ao menos por um instante. Se isso, e só isso já for conseguido, esse blog já fez mais do que eu esperava.

Não sei o quanto vai ser dito, ou quão longe vai essa idéia.


Daniel, meu amigo, estou sentindo muito a sua falta.




Nenhum comentário:

Postar um comentário